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(Resenha) A Laranja Mecânica, de Anthony Burgess


A Laranja Mecânica, de Anthony Burgess é um Romance Inglês Distópico, publicado Originalmente em 1962. O livro traz a narração em primeira pessoa do jovem deliquente Alex, que aos quatorze anos, narra sua autobiografia sobre suas aventuras e desventuras, cometendo inúmeras violências contra cidadãos, em conluio com seus amigos: George, Pete e Tapado, uma gangue de arruaceiros que vivem traquinando com os cidadãos do subúrbio londrino.

Por consequência de seus atos violentos, Alex vai parar na cadeia e depois no presídio. E é lá, nesse lugar horrível que ele próprio se vê cercado de perigosos bandidos com quem divide a cela. Mas um incidente acontece com um dos presos, e Alex é acusado novamente de assassinato. Ele é transferido para uma ala que mais parece um hospício. E é justo nesse lugar, que os doutores começam a tratar de sua delinquência e violência. Alex é submetido a sessões torturantes de filmes de violência, igual como ele cometia contra as pessoas de bem nas ruas, e isso começa a afetá-lo de um modo grotesco. Logo em seguida ele é solto, e começa a praticar traquinagens com os outros, mas não como antes. Alex acha que fôra o efeito do tratamento no presídio. Mas ele acaba percebendo, que está crescendo aos dezessete anos.


A Obra de Anthony Burgess soa meio profética em relação à violência nas ruas e a delinquência de jovens como o personagem central do livro, e a questão social de como o governo tenta impor leis e regras às pessoas sem ao menos consultá-las de sua aprovação ou reprovação. Isso acaba tornando-se uma mecânica social imposta por um governo que não lida com os interesses do povo. Essa obra se faz tão real como nos dias de hoje. O sarcasmo e as gírias usadas pelo Alex, se faz presente na história toda. Ao mesmo tempo que o jovem Alex é cruel e violento, ele é também dócil. O leitor se sente dividido com a mudança dele ao longo de sua narração de sua vida. Esse Anthony Burgess é um mestre do gênero Distópico. O livro foi adaptado para o cinema, A Laranja Mecânica, do Diretor Stanley Kubrick é um clássico deslumbrante, assim como o livro. Sinceramente, gostei muito desse livro. Não foi à toa que o próprio Heath Ledger amava esse livro, e foi através desse livro que ele compôs sua interpretação mais brilhante de sua carreira como o coringa sombrio de Batman - O Cavaleiro das Trevas do Christopher Nolan. Segue abaixo trechos do livro: 

A Laranja Mecânica, de de Stanley Kubrick 1971


" Entramos todos esmecando no quarto de luz acesa e lá estava a devótcheca meio se encolhendo, uma guariazinha jovem e bonitinha, com grudes muito horrorshow, e com ela estava o tcheloqueve que era o mudge dela também de aparência juvenil usando óculos de aro de tartaruga, em cima duma mesa tinha uma máquina de escrever e muito papel espalhado por tudo quanto era lugar, mas tinha assim uma pilha de papel, como se fosse o que ele já havia batido, portanto lá estava outro cara do tipo inteligente, de jeito chegado a livros, como aquele com que a gente tinha traquinado algumas horas antes, mas esse agora era um escritor, não um leitor. Mas aí ele falou:

- O que é isso? Quem são vocês? Como que se atrevem a entrar na minha casa sem permissão?
 E o tempo todo a sua golosse tremia e os rúqueres também. Então, eu disse:
- Não temas. Se medo tens em teu coração, irmão peço-te, expulsa-o incontinenti. - Aí  o George e Pete foram procurar a cozinha, enquanto, o tapado aguardava ordens, de pé ao meu lado, de rote escancarado - O que é isso? - Disse eu apanhando a pilha de papéis batidos em cima da mesa, e o mudge de óculos  de aro de tartaruga disse, trêmulo: - É exatamente o quero saber o que é isso? O que é que vocês querem? Saiam imediatamente antes que eu jogue vocês lá fora! - Aí, o coitado do tapado, mascarado de pebê Shelley, deu uma boa esmecada com essa rugindo que nem um animal.

- É um livro - disse eu. - Você está escrevendo um livro! - Eu falava com uma golosse bem grosseira. - Eu sempre tive a maior admiração por quem escreve livros. - Então eu olhei pra folha de cima e tinha o nome - A LARANJA MECÂNICA - E eu falei: - Esse título é bastante glupe. Onde que já se viu uma laranja? - Então eu li um malenquinho com uma golosse meio aguda, que nem de pregador: - ... A tentativa de impor ao homem, criatura superior, capaz de doçura, a fluir suculentamente na última fase da criação, dos cantos  dos lábios barbudos de Deus, tentam impor, digo eu, leis apropriadas pra uma criação mecânica, contra isso eu levanto minha pena- espada. - O Tapado fez o velho som de língua no beiço e com  essa eu tive que me esmecar. Então comecei a rasgar as folhas e espalhar os pedaços pelo chão, e o mudge escritor ficou meio bezúmine e partiu pra mim com os zubes cerrados mostrando o amarelado e as unhas prontas pra mim como garras. Isso foi a deixa pro Tapado velho de guerra, e ele partiu com um sorriso, fazendo he he he e ha ha ha direto ao rote trêmulo do veque, taque taque , primeiro o punho esquerdo depois o direito, de modo que o nosso amigo, o vermelho, vermelho de vino de primeira casta e o mesmo em todos os lugares, como se fosse todo produzido pela grande firma, começou a correr e a manchar o lindo tapete limpo e os pedacinhos do livro dele que eu conrinuava rasgando, rasrez, rasrez..." (Páginas 21, 22, 23 e 24)


Livro: A Laranja Mecânica
Título Original: A Clockwork orange
Autor: Anthony Burgess
Tradução: Nelson Dantas
Gênero: Romance Distópico
Número de páginas: 161
Editora: Aleph
Avaliação: Excelente
Fotos: livro/reproduçaoAleph
filme/googleimagens

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